sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A dor de sentir dor

Eu estava toda-toda linda e confiante que a minha filha já era uma criança. Julgava, inclusive, estar pronta para ter uma mini-Dani (ou mini-Rô?), correndo, pulando e sendo criança, não bebezinho, desses de colo. Até me acostumei, juro.

Ultimamente, sou eu que tenho agarrado a Laura, cato ela na curva, de surpresa, beijo, mordo, agarro e faço graça, pra ver se ela dura mais tempo no meu colinho, o que não acontece. Desce imediatamente, quer explorar o chão, essa novidade que aconteceu na sua vida há alguns dias. Abre gavetas, abre armários, joga tudo no chão, sobe nas mesas mais baixas, corre pro outro lado quando vê que as nossas garras estão próximas, sente o nosso amor pulsando nas veias, o nosso calor humano... e corre! Corre muito, cai, tropeça, bate o bumbum no chão e, como uma mola, fica em pé novamente, pronta para brincar de novo. Não para. Nunca.

A não ser hoje. Ontem. Desde segunda. E eu estou com o coração partido, sofrendo junto, vendo seu sorriso amarelo, sua falta de vontade de brincar, seu choro inconsolável de dor, de cansaço, de corpo ruim. Acorda feliz, mas vai ficando amuada, quietinha, mais brava, cara de quem está olhando longe... Sem foco. Depois, não quer almoçar, não quer comer nada, nem fruta. Às vezes, toma suco, um pouco. Dorme no meu colo, cansada, carinha fechada, dorme em paz. E eu te deixo comigo, sentindo a minha respiração e curto o nosso momento a dois, como fazíamos há um ano, quando você pesava 4 quilos e cabia no meu braço com folga. Eu fico ali alguns bons minutos, passando a mão na sua cabeça, arrumando sua sobrancelha, sentindo a sua pele na ponta dos meus dedos, um toque tão firme e delicado que somente uma mãe é capaz de fazê-lo.

Quando acorda, fica brava, no entanto, sorri em seguida. Brinca conosco por alguns minutos. Hoje, por exemplo, saímos para passear à tarde, e você, filha minha, ficou aérea, distante, não ria, não dava o famoso “tchauzinho” pras pessoas. E olha que você, meu bem, é a miss simpatia, sorri, brinca e dá tchau pra todo mundo na rua. Já fez inúmeras amizades na padaria que frequentamos, por conta desta tua simpatia contagiante. Em todo o comércio local você tem amigos, que vêm pra rua quando avistam o seu carrinho ao longe, se preparam para brincar contigo mais uma vez. 
O dono da banca sempre para e dá um pacote de figurinhas para ela, tamanha paixão pela minha Laura. Os meninos da padaria pegam ela no colo e exibem orgulhosamente a sua amiguinha pela loja. O porteiro da escola de inglês comenta “hoje de carrinho, Laura? Cadê o pano (sling)??”, a mocinha da farmácia que brinca contigo e te faz rir sempre... Hoje, não. Quietinha no carrinho, ficou a observar, preferiu ser coadjuvante nessa foto tão cinza. Andamos por quase uma hora e você só se animou um pouco quando passou um avião láááá no céu! Você deu tchau, brincou e falou “ó” com o dedo indicador empinado na frente do rosto. Eu aproveitei a deixa, brinquei, te tirei do carrinho, coloquei para andar um pouco e logo você pediu colo. Eu te peguei em um braço, empurrando carrinho com o outro e você se aninhou no meu ombro, quis dormir ali, na rua mesmo, com imenso barulho de buzinas, pessoas, freios e aceleradores.  Eu não deixei, voltamos para casa, era hora da sua janta, tentei... mas você não quis, balançou o rosto, fez não com a cabeça e empurrou a boca rumo à colher, que bateu na sua gengiva dolorida. Você chorou muito, muito, muito. Se tivesse comido, aposto que teria vomitado, de tamanho desespero da tua dor. Eu me contorci de remorso, sem ter o que fazer. Te ver chorando daquela forma me partiu o estômago ao meio, me fez querer chorar junto, querer te abraçar, te aninhar, te dar carinho e amor, esperar passar aquela dor que já era dolorida antes.
Depois de tanto chorar, você dormiu no meu ombro, abraçada comigo e eu te deixei ali por meia hora, imóvel. Curti o seu sono em mim, fiz carinho, passei as mãos pelas suas costas, como se quisesse te empurrar novamente para dentro de mim, por alguns dias apenas, para garantir-te paz suficiente para o seu crescimento saudável e feliz.    

Guardadas as proporções, fico chateada pelo transtorno pelo qual a Laura está passando. Não é nada perto de verdadeiras tristezas, doenças graves e reais martírios infantis, mas, como a Laura é muito alegre, feliz, entregue, confia em todo mundo, brinca, dá tchau, oi, ela é um amorzinho de tão dada... Vê-la caída desta forma é incomum, diferente, estranho e triste.

Sei que vai passar logo e que pra quem lê é muito fácil entender que logo ela estará melhor, no entanto, para mim, a minha filha tem que ser feliz todos os dias, em todos os minutos. Penso, no entanto, que é necessário passarmos por estes momentos, ela e eu, para aprendermos a ser apenas mãe e filha, e, não mais, mãe com filha. 

9 comentários:

  1. Dani.... imagino o quanto é difícil ver sua filha assim toda borocoxô. E espero que ela fique boazinha logo. bjo
    Ich, hausfrau
    www.ich-hausfrau.com.br

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  2. Ai Dani! Que dózinha da Laura... e de vc tb! Até chorei lendo seu post...
    Melhoras pra princesa!
    Bjokas.

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  3. Ohhhh Dani que ruim... Não gostamos mesmo de ver nossos pequenos desse jeitinho. Espero que melhore logo. Impressionante, mas como é bom quando estão pulando, sorrindo, falando mais que a boca...rs
    Beijos e se cuidem.

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  4. Pensei que era só eu que ficava "pedindo colo" pro Eduardo.
    Melhoras pra princesinha!
    Beijos

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  5. Devo estar de TPM, pois seu texto me emocionou... pela sinceridade, pelos momentos que passam rápido e por eu não ter mais bebê em casa!
    Eu sabia que passaria alguns anos e eu teria vontade de ter mais um bebê, rs. E por isso mesmo fiz laqueadura, pois acabaria com, sei lá, uns dez filhos só pelo prazer de ter um bebê nos braços, rs.
    Bjus

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  6. Poxa Dani... Como coração de mãe tem que ser forte para amparar, acolher, acalentar sem demonstrar sofrer...
    Bom mesmo é vê-las fazendo arte, bagunça, espalhando tudo pra mamãe juntar...
    Espero que sua princesa Laura melhore logo e volte ser como ela é... :)

    Beijocas
    Carol

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  7. Dani, sem querer usar aquela musiquinha infame, mas assim vc me mata, ahahahahah

    Preciso te dizer que fiquei super feliz com seu comentário? Me segura, rs.

    Vc tbm é linda e acho que temos o rosto parecido, deve ser por isso que marido gostou!

    Bjuuuus

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  8. Passando para desejar uma ótima semana!
    Bjuuuuus

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  9. Pequena está melhor né??? Sim sim sim!!!! Duas lindas na foto!!!! BJOOOOOOOOO

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Sinta-se a vontade para viajar no comentário! =)
Ele será respondido por aqui mesmo, ok?

Beijas!!

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